pequenas, ínfimas e insignificantes impressões

Tuesday, July 24, 2007

Nota de Falecimento


É com profundo pesar e tristeza que anuncio a Sua morte. O meu maior lamento parte de tudo o que poderia ter sido e não foi, devido à sua resistência e também à minha tolice. Há muito vinha tendo presságios deste fato, que por fim veio mesmo a se concretizar. Na verdade, os presságios vinham se apresentando desde o início,mas eu,cega,iludida,os ignorei.Pior assim.Hoje,repensando este processo,quem sangrou mais,quem teve suas cicatrizes inflamadas,justo por não deixá-las se fecharem,fui eu.

Antes você tivesse me proibido de tornar a tocar no assunto, de olhar para sua cara,proferir qualquer palavra ou sequer o seu nome - maldito seja! Assim, você não teria por que tripudiar meus sentimentos,me rasgar,me humilhar, cuspir no meu orgulho e me fazer marionete do seu ego. Me enganar - e enganar a outros, o que é pior.
Omitir seus sentimentos por terceiros- já que o silencio ilude, pois a falsa calmaria abafa as verdadeiras tormentas- para poder alimentar a delicia de ter um outro ser humano,faminto de seu afeto,implorando pelas suas migalhas,prontamente recusadas em várias ocasiões.

Não me canso de dizer que cansei,nem me arrependo de fazer o que estou fazendo agora.Este é o último naco de sofrimento que eu exponho a Você,criatura maldita,para que tenha consciência do seu poder de destruir. Nada do que eu disser nestas linhas, que possa te chocar ou te assustar, é sequer um grão de areia se aproximado da dor,da vergonha e do desespero que me fez experimentar.Não há motivo ou circustância que te permita dizer que eu sou merecedora.
A sua morte se faz bem-vinda.Somente assim eu descansarei em paz.Em sinal de respeito,no entanto,lhe ofereço um réquiem.

Supernova

Quando há milhões de anos,você explodiu.Encheu meu mundo de luz,ofuscante,cegante,feriu e encantou meus olhos na mesma fração de segundo, como toda nova estrela faz numa existência obscura.
Quando sua luz estava no auge, me aqueceu,me afagou.Me queimou,algumas vezes aconteceu.Era radiante,era a vida na imensidão, na distância de mim mesma, a referência de casa no meu abandono.
Até que um dia,fez-se um eclipse!A escuridão,o medo,a minha insegurança em saber que você estava lá no alto,porém atrás de outro astro,me privando da sua luz.
A sua luz passou a diminuir.E eu senti frio.Minhas condições de viver foram se tornando cada vez mais agrestes.Mas você,lá no alto, não me enxergaria aqui, tão minúscula.
Resolvi habitar outros sistemas.Descobrir novos mundos,e por fim hei de encontrar estrelas mais potentes para me aquecer.Eu me contento em me reconhecer na minha minúscula forma de existência,errante,solitária às vezes, mas sempre em busca de novos sóis para viver,apenas com o meu próprio flutuar.
Você é uma forma grande demais.Uma estrela fixa, amarrada em seu brilho,mas também em sua finitude.Vai se desintegrar no espaço, se deixar engolir pela matéria negra, não será nem a sombra do brilho que proporcionou um dia.
Você vai desaparecer.Desexistir.
Apagar-se.
Adeus.
Fim.

Thursday, July 05, 2007

A benção da maldição
(texto escrito em março de 2007)



Estarei eu condenada à danação eterna? Ok,coração faminto, você me pegou de novo.Quer baixar as minhas guardas para um novo encantamento. Porém, sinto lhe informar que eu adquiri anticorpos. Posso te contar adiantada a sinopse dessa novelinha. Sempre há alguém para me enfeitiçar, tomar de assalto meus pensamentos. O irônico é que as pessoas em questão não ficam sabendo que isso acontece. Há uma guerra correndo dentro do meu peito,com tiros,mísseis de destruição em massa,e as criaturas, os alvos visados, nunca entram em estado de alerta.

Não falei que eu me esvaía em sangue por causas não concretas? Pois é. O problema (seu na verdade) é que se Você visse o novo objeto dos meus sonhos,com certeza ia se incomodar. É absolutamente fabuloso!
Sinto dizer que,cedo ou tarde,Você poderá perder seus posto. Aprume-se.
O mundo realmente é sempre maior do que nossos olhos podem enxergar em determinado momento.

Sim,eu estou feliz, afinal de contas, sinto que estou aos poucos me libertando do seu jugo.É claro que - para meu infortúnio, que fique bem claro- todas as vezes que avistar, de longe, o seu caminhar, meu sangue queimará minhas veias, criatura pérfida.

O vai e vem de olhares, outros sorrisos, outros espíritos, não é só você que existe nesse mundo. Mudar de ares e descobrir outras belezas tem me feito bem demais.
Até meu coração virar prisioneiro dos meus impulsos.