pequenas, ínfimas e insignificantes impressões

Saturday, April 21, 2007

Impasses


Ligar, não ligar. Ligar, não ligar. Chamar a atenção. Ignorar. Fingir que não se importa. Chorar ao se lembrar. Perder as esperanças. Continuar a acreditar.
As horas passam. Os dias passam. Você não passa. Tu não passas. Faz duas semanas que não vejo você. Te vejo todos os dias. Nunca te vejo, sempre te amo.
Vai pro inferno! Me liga de vez em quando. Não sei exatamente se odeio, mas Você me aborrece.
Tu, me encantas, cada vez que passa por mim. Mas isso é outra história.
Preciso conversar com Você primeiro. Terminar nosso assunto. É a última vez que falo sobre Você, até que demonstre um pouco de consideração.
Quanto a Ti, continue passando por mim e enchendo meus olhos, e aquecendo meu peito. Preciso que Tu me embriagues. Preciso que Tu me ajudes a esquecer Você.
Mas não conte pra ninguém.

Friday, April 13, 2007

Suplício de Tântalo


Não existe nada mais cruel do que oferecer um doce a uma criança e depois esconder. Ou então prometê-lo e depois chegar de mãos abanando fingindo não saber de nada, como se não tivesse sido oferecido.

Que sensação frustrante! E o mais ridículo de tudo é que o produto foi vendido por telefone. O que é isso, afinal? Tele-marketing? Eu deveria requerer meus direitos de consumidora nessas horas. Mas sabe como é. Antes engolir a piada do que perder o amigo.

Você tem pouco tempo para se redimir. Caso contrário, eu procurarei minhas trufas em fornecedores mais confiáveis. Quanto a você? Vai congelar pela eternidade no último círculo, que é o lugar dos traidores.

Suplício de Tântalo. O sofrimento de quem, desejando ardentemente alguma coisa, sempre a vê escapar-se quando prestes a ser alcançada, ou, desejando algo que está à vista, ou à mão, não o pode desfrutar.
Fonte: Dicionário Básico da Língua Portuguesa Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.

Sunday, April 08, 2007

"Hebréia" - Castro Alves


Pomba d´esperança sobre um mar d´escolhos!
Lírio do vale oriental, brilhante!
Estrela vésper do pastor errante!
Ramo de murta a recender cheirosa!

Tu és, ó filha de Israel formosa...
Tu és, ó linda, sedutora Hebréia...
Pálida rosa da infeliz Judéia
Sem ter o orvalho, que do céu deriva!

Por que descuras, quando a tarde esquiva
Mira-se triste sobre o azul das vagas?
Serão saudades das infindas plagas,
Onde a oliveira no Jordão se inclina?

Sim, fora belo na reluosa alfombra,
Junto da fonte, onde Raquel gemera,
Viver contigo qual Jacó vivera
Guiando escravo teu feliz rebanho...

Depois nas águas de cheiroso banho
- Como Susana a estremecer de frio -
Fitar-te, ó flor do babilônio rio,
Fitar-te a medo no salgueiro oculto...

Vem pois !... Contigo no deserto inculto
Fugindo as iras de Saul embora,
Davi eu fora, -se Micol tu foras,
Vi brando na harpa do profeta o canto...

Não vês?... Do seio me goteja o pranto.
Qual da torrente do Cédron deserto !...
Como lutara o patriarca incerto.
Lutei, meu anjo, mas caí vencido.

Eu sou o lótus para o chão pendido.
Vem ser o orvalho oriental, brilhante !...
Ai! guia o passo ao viajar perdido
Estrela vésper do pastor errante!