Sobre o porquê de não sermos sinceros com nós mesmos
* este texto foi criado para a minha aula de Leitura e Produção Textual, uma dissertação sobre algum aspecto do comportamento humano.
Meu objetivo aqui se pretende muito claro. Falar sobre algo que me afeta diretamente nestes últimos meses, e que provavelmente vai deixar suas marcas impressas dentro de mim, como um fóssil, para sempre.Vou cuspir as informações sem frescura: eu sofro com a falta de sinceridade. De outrem e, agora devo dar a mão è palmatória, de mim mesma.Por que não temos coragem de gritar o que sentimos, dizer o que pensamos? O que poderíamos perder com um pouco mais de honestidade?
Costumo relacionar sentimentos a bebês. Antes de dar de cara com as impressões externas que o mundo impõe, ao lançá-los - à base de muita força - para fora, eles passam um tempo bastante razoável se desenvolvendo dentro de nós, até descobrirmos o que é exatamente, se menino ou menina - no caso da gravidez, "por supuesto". Porém,e essa observação é realmente vital, somente quando é expelido e compartilhado com outras mãos é que passa a ganhar um nome e um destino. Minha comparação com bebês acaba por aqui. Não suporto maldade com crianças.
Então, por que costuma-se dificultar tanto as coisas? Eu fico me perguntando: vivendo nesse mundo cão com que a gente topa todos os dias, cheio de pessoas raivosas e/ou egoístas, dizer "eu te amo" deveria ser uma benção. As pessoas, no entanto,têm o péssimo hábito de segurar isso - quando não há necessidade, afinal de contas não se trata de um pum.Pode soltar à vontade! Mas eu vou te dizer: no fundo, no fundo eu entendo esse comportamento, sabe? As pessoas têm medo de não serem correspondidas. Pronto, contei o segredo, só espero que não me matem. Agora vou falar tudo, não quero nem saber. O medo delas é chegar, abrir o coração, dizer as palavrinhas mágicas, e o ouvinte em questão olhar pra sua cara e dizer: A)"desculpa, não ouvi, pode repetir?" ou B) "puxa, tô atrasado, vou perder o ônibus", ou simplesmente C)" sinto muito, mas acho melhor você partir pra outra".É frustrante, eu sei.
No entanto, o delito mais grave de quem mente pra si mesmo é reproduzir a situação da alternativa C, ou seja, desenganar um coração outrora cheio de vida, também sentindo o mesmo pela outra pessoa.Sim! Isso deveria dar no mínimo cadeia! Tentar entender uma atitude assim é tão complexo e vago quanto interpretar a mente de um psicopata. Mas vamos lá, fazer esse esforço, talvez valha a pena. Será que essa pessoa tomou essa decisão por medo de se envolver? Terá sido um trauma de infância, o seu papagaio morreu, e assim, passou a ter medo de se apegar? Por medo de sofrer, de amar demais, e, novamente essa neurose, de não ser correspondido? Bem,com toda a humildade, um dos princípios básicos para você, que quer saber amar, é saber deixar alguém te amar,como diz a letra da música.
Além do mais, nunca se sabe quando vamos ter a oportunidade de encontrar alguém pro aí, seja numa parada de ônibus ou numa fila de liquidação e que, principalmente, vá realmente nos gostar, com todos os defeitos e cacoetes que temos. É triste negar essas chances, como quem se deixa afogar porque fugiu do salva-vidas. Prefiro não julgar mais esse tipo de escolha. Só lamento por às vezes escolhermos o caminho mais difícil,o mais incerto. Se bem que incerto, todos são até certo ponto. Mas é bem pior fazê-los sozinho.

