pequenas, ínfimas e insignificantes impressões

Thursday, March 01, 2007

Veja o que a falta do que fazer é capaz de produzir



Não houve um mote específico, nem razão particular que me levou a escrever este texto. Não vou inventar uma mentira de que isso seria uma resposta a uma discussão acalorada - e mal-resolvida. Tudo partiu apenas de indagações íntimas surgidas num momento de ócio. Estou somente compartilhando.

Por que o casamento é uma "instituição falida"? Os pseudo-modernosos adoram gargantear essa máxima aos quatro-ventos. Na verdade, o que está falindo mesmo é a maneira como as relações humanas, em geral, têm sido conduzidas, cada vez mais decadentes, solitárias, individualistas. Burocráticas. Daí a pensar que se pode enquadrar o casamento na condição de instituição. É tudo tão "institucionalizado", empresarial, contratual.
Casar-se é "apenas" (e já é difícil) exercitar a capacidade de conviver com outra pessoa, aprender a amar não só o seu sorriso e gargalhadas, mas também suas remelas e faniquitos. Gostar de acordar pela manhã e ver a pessoa amada com a cara completamente amassada, aturar suas crises de depressão e aceitar suas imperfeições, sem esquecer, afinal de contas, que toda relação é uma via de duas mãos.

Se de homem e mulher, homem e homem, mulher e mulher, não importa, é tudo sempre mais do mesmo, só muda a embalagem, o invólucro. O ser humano tem uma essência una, homogênea. Deus apenas foi criativo em criar modelitos de moldes diferentes. E não me chame de piegas por acreditar em Deus. O problema não é Dele,e sim dos homens. Não posso me voltar contra algo que não vejo(embora tenha direito a alguns momentos de indignação), mas com aquilo que vejo e não se modifica, para tornar o mundo melhor, ou que não é combatido, pelo mesmo motivo.Se vou sacramentar um acordo espiritual - o que é completamente diferente de um institucional (como eu detesto esta expressão!)- e indivisível numa sinagoga, numa igreja ou sabe-se lá onde for, que seja! Também não é obrigatório!!

Não acho que um casamento precise de um acordo de "papel passado", como se dizia nos tempos de vovó, a menos que seja do inteiro interesse das partes envolvidas. Até por que, todas as coisas da vida são transitórias, e o verdadeiro legado que deveríamos nos preocupar em deixar são as lembranças dos momentos que passamos com aqueles que cativamos. E isso não necessita ser lavrado em cartório.
Sou romãntica sim, e o problema é meu.

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