Por que meu Carnaval não foi divertido
Já faz mais de uma semana em que estou mergulhada em uma angústia que parece ser eterna. O que pode ser uma eternidade para mim, pode ser apenas um fim-de-semana ou feriado para quem não vive sob a mesma tensão que eu estou vivendo.
Os dias já têm nascido combinando com o meu estado de espírito;tristes, cinzas, chuvosos. Enquanto em outras partes, a centenas de quilômetros da minha depressão, faz sol, tempo bom, é descanso e é férias. A realidade neste paraíso parece distante, no entanto eu pareço nela entranhada. A realidade que eu mesma construí, transformando um refúgio de lembranças em uma sala de torturas.
A falta física, o desconforto, causado pela ausência das cores, dos sons, do cheiro daquilo que me faz viver feliz, mesmo que for efêmeros instantes, é o que desola. Sempre que se deseja ter proximidade, logo se deseja que nos seja palpável, e, quando a realidade me relembra que a distância existe como um divisor invisível, entro num buraco negro. O vazio.
O que me conforta neste vazio - quando encontro espaço para algum conforto- é pensar que este talvez seja um mal necessário. A distância mata aos poucos, mas pode ser antídoto para outro veneno, ainda mais poderoso - a rotina, cujos sintomas são o desinteresse e o desgaste. A distância é relativa, assim como o tempo. O breve espaço entre os eventos chama-se momento. E momentos compensam-se com outros. Depende-se apenas de um pouco de boa vontade.
O que me resta é a pálida esperança trazida pela maresia. Sou herdeira da espera, e dela, por enquanto, ganhei mais um registro em meu livro de impressões. A saudade.
Música do dia: Elton John- "I Guess that´s Why They Call it The Blues"


1 Comments:
O q posso dizer?!?! tudo o q tu screve eh muito bonito e me parece triste muitas vezes mas sempre verdadeiro(eu sei)!!!!
Bjus te adoro
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