pequenas, ínfimas e insignificantes impressões

Wednesday, January 03, 2007

Por que eu tenho razão



Eu não faço sentido, assim como a maioria das coisas que conheço. Sou desorganizada, minhas peças estão embaralhadas e perdidas em lugares de que nem faço idéia. Ajo por impulso e magôo as peesoas de que gosto, e assusto as pessoas que amo. Gosto de quem eu gosto, ponto final. O que não me ilumina, não me desperta.

Sou uma alquimista;tenho o poder de transformar néctar em exterminador de ratos. Um dos meus hábitos é corromper sentimentos nobres, e então ingerí-los. Tenho por gosto esmurrar pontas de faca e me esvair em sangue por causas não-concretas. Meu mais novo objetivo seria megulhar num enxame de abelhas.
Perco o controle de mim mesma. Me anulo, me faço de idiota e mostro a minha pior faceta. Já esbravejei, guardei mágoas, roguei pragas, quis torturar meus inimigos e desejei a bomba atômica. Tudo isso teve o efeito do bater de asas de uma borboleta. Paciência.

Não sou ingênua de querer que o mundo apenas ofereça flores. Na verdade, penso primeiro em receber punhaladas,depois,dispender um pouco de energia para curar as feridas.Costumo olhar para as cicatrizes com saudade, ciente de que um dia elas formarão a trilha da minha vida. Não espero que o mundo me ofereça a Beleza, porque a vejo por mim mesma, sem motivo aparente, subitamente. Meu único crime talvez seja tentar dominá-la, uma vez que tenha passado diante de meus olhos.

O que me redime, de fato, é a legitimidade da minha loucura, cujos motivos apenas eu compreendo. Portanto, sou eu a única merecedora da Beleza e das dores que dela advém. E ninguém precisa conhecer o motivo que me faz acalentá-las. Só quero sentí-las intensamente.

*Segundo minha mãe, "isso é falta de laço!!!".

0 Comments:

Post a Comment

<< Home